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Psicovid19

Saúde mental em tempos de pandemia

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Saúde mental em tempos de pandemia

Ciclo de Webinars Psiquiatria e COVID-19 : Conversas sobre saúde Mental

28.04.20

Nesta altura em que muitos estamos fisicamente separados, importa refletir sobre Saúde Mental em tempos de COVID-19 e acerca do que o futuro nos reserva.

A Associação Portuguesa de Internos de Psiquiatria vai promover um Ciclo de Webinars durante 5 semanas centrada em várias áreas da Saúde Mental, com apoio científico da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saude Mental e Patrocínio BIAL.

O primeiro Webinar será já nesta quarta feira dia 29 de abril, focado no tema “Organização de serviços em resposta à Pandemia” e contará com a participação de Miguel Xavier,  Ana Matos Pires e Teresa Maia, com moderação de  Pedro Frias.

Os webinars serão transmitidos em direto na página de Facebook da APIP (link disponibilizado no dia de realização do webinar)

 

Mais informações na página do evento 

Perturbação Obsessivo Compulsiva em Tempos de Pandemia - um guia para clínicos

17.04.20

Em tempos difíceis como aqueles que vivemos hoje, é possível que as pessoas que sofrem de doença psiquiátrica sintam um agravamentos dos seus sintomas e tenham também mais dificuldade em obter os cuidados de saúde habituais. As pessoas com doença obsessivo-compulsiva encontram-se numa situação de particular vulnerabilidade pelo que o Colégio Internacional da Perturbação Obsessivo Compulsiva (ICOCS) e o Obsessive-Compulsive Research Network (OCRN) of the European College of Neuropsychopharmacology elaboraram um documento de consenso sobre as melhores práticas clínicas em tempo de COVID-19. Resumimos aqui os principais pontos:

  1. Adoptar uma abordagem tranquilizadora e empática. O impacto da pandemia é muito variável em diferentes regiões do mundo;
  2. Realizar uma cuidadosa colheita da história clínica no sentido de confirmar o diagnóstico. Nesta situação pandémica, as pessoas podem experienciar o agravamento/reativação de doenças prévias ou o desenvolvimento de sintomatologia de novo; deve ser dada particular atenção às comorbilidades neste período;
  3. Deve avaliar-se o risco de suicídio, nomeadamente em pessoas com comorbilidades;
  4. Deve ser disponibilizada psicoeducação acerca dos riscos e impactos da COVID-19 na saúde física e mental;
  5. Avaliar o uso de internet e o consumo de notícias; deve promover-se hábitos equilibrados (30 minutos de amnhã e 30 minutos à noite) para estar informado acerca da pandemia; devem sugerir-se fontes válidas para evitar mitos, rumores e desinformação;
  6. Se a Perturbação Obsessivo-Compulsiva for o problema de saúde principal sugere-se:
    1. Rever a medicação (SSRI 1, depois SSRI 2, depois adicionar Clomipramina, sempre em doses terapêuticas); considerar antipsicótico em baixa dose; assegurar que existe uma boa adesão; gerir problemas de sono.
    2. Rever o plano de psicoterapia cognitivo-comportamental; na fase pandémia pode verificar-se a necessidade de suspender temporariamente a Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta.
    3. Pode verificar-se a necessidade de adiar a implementação de estimulação cerebral profunda.
    4. Recomenda-se a implementação de planos sócio-ocupacionais que incluam a prática diária de exercício físico.
    5. Deve ser dado suporte aos familiares das pessoas com doença sempre que necessário.

O Impacto da Pandemia na Saúde Mental

05.04.20
A pandemia COVID-19 apresenta enormes desafios para a nossa sociedade. Sendo certo que o impacto negativo da pandemia na saúde mental será muito significativo, importa identificar os principais fatores de risco e de proteção bem como monitorizar aqueles que se encontram em maior risco de desenvolverem doença psiquiátrica ou agravarem situações de doença já estabelecida. É urgente e necessário garantir que as pessoas que sofrem de doença psiquiátrica e aqueles que se encontram em situações de maior vulnerabilidade mantêm o necessário apoio, embora com recurso a meios diferentes que privilegiam o contacto digital.

Neste sentido, um grupo de investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Minho desenvolveu um estudo que pretende monitorizar a saúde mental de um conjunto alargado de pessoas e descrever os principais impactos da pandemia. O jornal Público, num excelente trabalho da jornalista Isabel Salema, lançou um olhar sobre o trabalho de investigação que está a ser feito, dando conta dos principais estudos que foram produzidos a nível internacional desde o início da pandemia.

Pedro Morgado

Promover a Saúde Mental em Tempos de Pandemia – as recomendações da OMS

23.03.20

Num momento em que a COVID-19 foi declarada como pandémica e o governo declarou estado de alerta, é natural um aumento dos níveis de stress e ansiedade da população. Esta é uma fase em que a saúde mental não pode ser desvalorizada e em que devemos continuar a prestar atenção e cuidados a quem sofre de doença psiquiátrica. Para promover a saúde mental, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu recomendações que adaptamos para neste texto.

Em primeiro, importa salientar que a COVID-19 não é exclusiva de nenhuma etnia ou nacionalidade. É preciso ajudar quem foi afetado pela doença ou está de quarentena, sem qualquer discriminação. Proteja-se a si e aos outros, mas dê-lhes também apoio, principalmente aos mais necessitados e aos que não se podem deslocar.

Evite ler, ouvir ou ver notícias que o deixem ansioso ou angustiado. Por estes dias têm sido partilhadas inúmeras informações falsas e alarmistas que não ajudam as autoridades e que espalham o medo e o pânico entre as pessoas. Não partilhe informações que não estejam confirmadas e não confie nos meios de comunicação social que reiteradamente fomentam notícias com base em rumores não confirmados.

Procure apenas informação para se proteger a si e aos seus. A constante atualização noticiosa e a atenção mediática podem criar preocupação em qualquer pessoa, pelo que se aconselha a uma recolha de informação em intervalos maiores e através de fontes oficiais, como a Organização Mundial de Saúde, a Direção-Geral da Saúde ou os comunicados dos órgãos oficiais – o que permitirá evitar ler rumores e ter apenas os factos oficiais.

Partilhe histórias positivas. As histórias positivas e o trabalho de quem ajuda diariamente as pessoas afetadas pela COVID-19 devem ser reconhecidas e partilhadas. É importante noticiar que já há milhares de casos tratados com sucesso em todo o mundo.

É normal que os profissionais de saúde também se sintam stressados com esta situação. Isto não significa que não consigam fazer o seu trabalho ou que sejam fracos. Durante este período é fundamental gerir o stress e o bem-estar psicossocial, bem como a saúde física – pelo bem dos profissionais e também dos pacientes.

A difusão de mensagens simples e claras é fulcral na relação entre os profissionais de saúde e a sociedade. Nesta fase crítica, a comunicação com a comunidade é importante para esclarecer e disseminar boas práticas no controlo do contágio. É fundamental que não se divulguem informações não confirmadas e/ou não oficiais. É também crucial que os grupos que reúnem profissionais no Facebook, Whatsapp e em outras plataformas sejam efetivamente locais de entreajuda no esclarecimento de dúvidas de forma racional.

As crianças não devem ser esquecidas. Além das boas práticas recomendadas para todos, é importante encontrar formas positivas de expressão de sentimentos como o medo ou a tristeza. Atividades criativas como desenhar ou jogos com a família mais próxima podem facilitar a comunicação entre pais e filhos e criar um ambiente seguro. Nesta situação é provável que as crianças exijam maior atenção da família, pelo que deve ser-lhes explicado o que devem fazer e ensinar boas práticas para reduzir a transmissão da doença, bem como explicar os seus sintomas.

A manutenção das rotinas familiares é importante, especialmente se as crianças estiverem confinadas a casa. Mesmo com todas as restrições de contacto social, importa promover interação com outras pessoas através de chamada telefónica ou de aplicações online.

As pessoas em isolamento devem manter os seus contactos sociais, seja online ou por telemóvel. Mesmo nesta situação, as pessoas devem manter a sua rotina, como horários de acordar ou de refeições. Comer de forma saudável e fazer exercício físico dentro dos constrangimentos recomendados pelas autoridades de saúde também são importantes nestes períodos de stress.

As situações de ansiedade e stress, em momentos como o que vivemos atualmente, são normais – é preciso coloca-las em perspetiva. As autoridades de saúde pública e os especialistas em todo o mundo estão a trabalhar para assegurar a disponibilidade dos melhores cuidados de saúde para todos os afetados.

No fim da pandemia, sairemos desta crise mais fortes e com um enorme capital de aprendizagem coletiva para o futuro.

Texto de Pedro Morgado e Tiago Ramalho
(publicado no Expresso em 13/03/2020)