Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Psicovid19

Saúde mental em tempos de pandemia

Psicovid19

Saúde mental em tempos de pandemia

O Impacto da Pandemia na Saúde Mental

05.04.20
A pandemia COVID-19 apresenta enormes desafios para a nossa sociedade. Sendo certo que o impacto negativo da pandemia na saúde mental será muito significativo, importa identificar os principais fatores de risco e de proteção bem como monitorizar aqueles que se encontram em maior risco de desenvolverem doença psiquiátrica ou agravarem situações de doença já estabelecida. É urgente e necessário garantir que as pessoas que sofrem de doença psiquiátrica e aqueles que se encontram em situações de maior vulnerabilidade mantêm o necessário apoio, embora com recurso a meios diferentes que privilegiam o contacto digital.

Neste sentido, um grupo de investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Minho desenvolveu um estudo que pretende monitorizar a saúde mental de um conjunto alargado de pessoas e descrever os principais impactos da pandemia. O jornal Público, num excelente trabalho da jornalista Isabel Salema, lançou um olhar sobre o trabalho de investigação que está a ser feito, dando conta dos principais estudos que foram produzidos a nível internacional desde o início da pandemia.

Pedro Morgado

Porque informar e estar informado é fundamental (II)

05.04.20

Continuando a conversa aqui iniciada.

Como é que isto se processa no terreno?

Existe um Gabinete Regional de Crise em cada ARS, que integra o Coordenador Regional da Saúde Mental da respetiva ARS, e que foi responsável pela ativação da resposta de Saúde Mental no SNS.

Em cada Serviço Local de Saúde Mental (SLSM) e nos dois hospitais psiquiátricos do país existe um Núcleo Local de Resposta do SLSM, constituído por um médico psiquiatra, um psicólogo, um enfermeiro especialista em saúde mental e um assitente social.

Em cada Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) existe um Núcleo Local de Resposta dos CSP, constituído pelo Diretor Executivo, Presidente do Conselho Clínico e de Saúde, Delegado de Saúde, um médico de Medicina Geral e Familiar, um psicólogo, um enfermeiro e um assitente social.

Todas as pessoas que integram os Núcleos Locais, nos CSP e nos SLSM, fizeram uma formação em primeiros cuidados psicológicos, posteriormente replicada a profissionais dos diferentes centros de saúde que constituem o ACeS. Nalguns sítios esta formação também foi feita a pontos focais de estruturas da comunidade, nomeadamente autarquias.

A formação obedeceu a um modelo bem determinado e validado pela Organização Mundial de Saúde e pelo Programa Nacional para a Saúde Mental, adaptado à atual situação.

Vamos a um exemplo prático.

Estou em casa e sinto-me muito ansiosa ou angústiada, por exemplo, ou percebo que um familiar não está bem.

Devo ligar para o meu centro de saúde a explicar a situação e um técnico de saúde, com formação na área, ouve-me e fala comigo. Feita a avaliação da situação o profissional dos CSP (1) ajuda-me e a situação fica resolvida ou (2) determina que eu preciso ser avaliada pelo SLSM e, nesse caso, pede-me um contacto e informa-me que irei ser contactada por um psicólogo ou psiquiatra do SLSM.

O telefone toca e eu atendo o profissional de saúde mental, que faz a avaliação da situação e determina que (1) o caso ficou resolvido e despede-se de mim, (2) devo ser encaminhada para uma consulta de psicologia, ou (3) devo ser encaminhada para uma consulta de psiquiatria, ou (4) devo ser encaminhada para a urgência psiquiátrica.

Se fui encaminhada para uma consulta de psicologia ou de psiquiatria sou informada do dia e da hora em que serei, de novo, contactada por um psicólogo ou um psiquiatra do SLSM.

Se fui encaminhada para a urgência devo deslocar-me presencialmente à urgência psiquiátrica do meu hospital de referência.

Se se tratar de uma criança o percurso é o mesmo e a resposta, no SLSM, é dada por um profissional com formação específica para crianças e adoelescentes – psicólogo ou médico de psiquiatria da infância e da adolescência.

(cont)